quarta-feira, 25 de junho de 2014

Centelha


para Bárbara Andrade

Essa é a vigésima terceira vez que morro num sonho. Tento, em vão, esquecer o momento em que a corda se entrelaça no meu cordão e, de supetão, forma nós tão fortes na pele tão seca quanto nosso último abraço. Acordo aflita, suada, os olhos grudados por não ter tirado a maquiagem da noite anterior. Não pensar nas consequências desastrosas que virão no dia que se abre em meio à neblina da manhã é tudo que me resta. Enquanto eu descia e te puxava pelas mãos, tudo parecia menos triste. Alguns flashes voltam à minha cabeça. Levanto-me da cama, abro a gaveta. Não há nada escrito na(s) primeira(s) página(s) do meu moleskine falsificado. Pulo três e, na quarta, está escrito "lembrança". Tenho tanto medo de começar que só consigo começar lembrando. Tanto medo de gastar as páginas - como se eu desse realmente a mínima pras coisas materiais e superficialmente palpáveis - que não consigo escrever nada linear: apenas alguns segmentos frasais que não fazem sentido ainda. Fiquei pensando no que você tinha me perguntado ontem à noite. Éramos fora e na rua, no ouvido dos dois. Você perguntava se eu sentia que abandonava parte de mim quando precisava começar algo. Fiquei pensando nisso por muito, muito tempo. Estou sempre cheia de energia, sempre infestada de sentimentos. Minha mente sempre borbulhando numa movimentação que só sendo-vendo pra sentir-ver. Temo que isso soe um pouco raso ou intenso demais. Estou sempre muitíssimo agitada, perceba, no corpo e na mente. Por isso, sempre que preciso começar algo já não preciso. O começo é sempre um auto-começo, uma automação, uma atuação: tudo já está a maturar dentro da minha cabeça desde o momento em que penso em começar. Com isso, me dou conta de que estou cheia de inícios e vazia de fins. Só me restam os meios, as brechas, os becos, os corredores. Por isso, penso que nunca deixo uma parte de mim pra lá. Não consigo me abandonar. É egoísta, eu sei, mas até no meu altruísmo eu estou lá. A gente nunca ajuda sozinho, a gente nunca começa sozinho. Acontece que aquela faca no meio do estômago voltou a me perfurar. Não estou querendo exigir muito nesse recente (re)começo, mas minhas frustrações já são antigas. Não exijo-te, retraio-me e esqueço, por alguns segundos, o que a neblina tampou naquela manhã. Começamos já cheios de meios, miolos e medos. Cheios de nós, tão fartos de outros. Você me pergunta qual é a pergunta que eu mais quero responder, qual é a luta menos vã. "Os impulsos", você diz. "Os pulsos", eu digo. No fim, a luta menos vã é a solidão. Olho pela janela. Não importa a circunstância: o risco de acabar é sempre o mesmo. Volto pra cama: não sei se vou saber começar. Mas sei que há uma faísca nesse fio de sangue que escorre por entre nossos lábios no céu nublado do feriado.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

You will never know


I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)
— Sylvia Plath

these are the
things you will
never know:

I was afraid
it was too late
I knew my body
so well
this should have rung
a bell

(but you will
never know
about him)

I left pieces of my life behind
the ache was so bad
you were the best poem
I have (n)ever read

but no
you will never
ever know
I do not regret

(at least
not yet)

Poema originalmente postado no HelloPoetry.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

5 ex (ou não) amores famosos & platônicos

Meme proposto pelo Rotaroots.

Criado no intuito de trazer de volta blogosfera de anos atrás, o projeto Rotaroots é totalmente em prol da "blogosfera oldshool em 1 publicação ou seu tempo de volta", como os lindos do staff dizem. Além disso, estão sempre na luta "por menos cagação de regra, mais amor e mais liberdade pelo que escrevemos". É ou não é muito amor? Eu, que sou completamente apaixonada por essa blogosfera oldschool - quando, aliás, ainda era chamada de "blogosfera" - de uns 10-15 anos atrás não poderia achar mais revigorante. Já até contei minha história na tal blogosfera no texto A arte de blogar, numa homenagem ao Dia do Blogueiro do ano passado. Dessa forma, todo mês o Rotaroots propõe às meninas participantes memes, blogagens coletivas e afins para que possamos blogar à moda antiga e compartilharmos os textos umas com as outras. Por isso, vezenquando teremos um post ou outro aqui proposto pelo projeto.

Eu, como já é sabido de todos, procrastino e procrastinarei. Por isso, ainda na proposta do mês passado, escolhi o meme do mês de maio que é - como o título do post já adianta - falar sobre meus  5 amores famosos platônicos da adolescência. E essa é a chance de você apertar o X vermelho ali em cima, amigx. Corre que ainda dá tempo! Sim. E que atire a primeira pedra quem nunca surtou por um Justin Bieber dada determinada época/gosto pessoal. Portanto, sem mais delongas, vamos aos "ditos cujos", selecionados em meio a tantos amores.

✖5✖ Tré Cool (baterista da banda Green Day)

Quando me conquistou? Em meados de 2004. Eu estava entrando na minha fase rebelde sem causa que só usa preto e odeia (quase) todos quando me apaixonei por Green Day. Minhas amigas da época e eu combinávamos tardes de pipoca e suco de uva pra assistir ao DVD pirata de um show deles over and over again.
Por que? Como todo grupinho, cada amiga tinha que ter um cara preferido da banda. Eu, tentando ser ~diferente~, não queria gostar do vocalista porque todo mundo já gostava. Além disso, o Tré fazia umas caretas e era tipo o "bobo" da banda. Junta meu eu de 11 anos + um cara bobo e estranhamente bonito e você tem o necessário pra uma paixonite adolescente aguda.

Am I over it?
Definitely.


✖4✖ Johnny Depp (ator e músico multifacetado que dispensa apresentações)

Quando me conquistou? Não lembro ao certo, mas foi provavelmente entre o lançamento do primeiro "Piratas do Caribe", em 2003, e "Janela Secreta", em 2004.
Por que? Foi, provavelmente, assistindo a um dos dois filmes citados em algum momento que, obviamente, me apaixonei por Johnny Depp. Junta um cara lindo, talentoso, absurdamente charmoso e com muito "borogodó" e pá, temos nosso querido Johnny. Depois que caí de amores por ele, me propus a assistir a toda a filmografia. Assim o fiz: assisti a todos os filmes que consegui achar, mas ainda faltam vários. Foi nessa mesma época que comecei a me interessar por Tim Burton. Acompanhando a carreira do Johnny, assisti a muitos filmes do Burton. Com isso, acabei me "encontrando" completamente ali e os dois lindos ganharam meu coração.

Am I over it?
Claro que não, né? Quem estaria?!


✖3✖ Synyster Gates (guitarrista solo da banda Avenged Sevenfold)

Quando me conquistou? Lembro que foi exatamente em dezembro de 2010. Nesse período, canalizei todo meu amor adolescente reprimido no Synyster e no suposto "metal" do Avenged Sevenfold. Foi o período que eu mais usei o Twitter na vida e, obviamente, ficava postando coisas sobre ele o dia inteiro.
Por que? Foi amor à primeira vista. Primeiro porque achei ele extremamente bonito logo de cara; depois porque (ok, confesso) provavelmente me lembrava alguém. Foi o primeiro guitarrista pelo qual me apaixonei e acho que toda mulher devia se apaixonar por pelo menos um na vida, tá? Nunca é tarde, amigxs. Eu era tão apaixonada que fazia a piada Kid Abelha: "solos de guitarra vão me conquistar SIM". Também fazia algumas piadas envolvendo dedilhados de guitarra, mas prefiro pular essa parte. Shame on me.

Am I over it?
Provavelmente, mas mentiria se dissesse que não continuo achando ele m-a-r-a.


✖2✖ Chuck Bass (personagem do seriado Gossip Girl)

Quando me conquistou? Na primeira temporada de Gossip Girl, em 2007. Qualquer adolescente indo pro Ensino Médio que tenha visto Gossip Girl nessa época sabe do que eu estou falando. O timing não poderia ser mais perfeito: Gossip Girl foi meu Harry Potter no sentido "crescer junto".
Por que? Chuck é o tipo bad boy mulherengo fdp que sua mãe sempre falou pra você não namorar. Obviamente, ela está certa. Porém, pra uma adolescente de 14 anos, Chuck Bass era amor de perdição e salvação num só personagem. Sempre com um copo de uísque na mão e voz baixa e rouca seduzindo todos e todas ao seu redor, Chuck era o puro sex appeal de deixar qualquer menina babando.

Am I over it?
Sim, mas ainda respeito. Afinal, he is Chuck Bass.


✖1✖ Julian Casablancas (vocalista da banda The Strokes)

Quando me conquistou? Ao contrário de todos os lindos citados anteriormente, Julian me conquistou MUITO depois de eu tê-lo ouvido/visto pela primeira vez. Tré, Johnny, Sysnyter e Chuck foram todos amores à primeira vista que se mantiveram tempos depois, mas o furor por Julian só apareceu mesmo no fim de 2013/início de 2014.
Por que? Eu já conhecia e escutava Strokes há muito tempo, mas nunca passou pela minha cabeça ter uma paixãozinha adolescente pós adolescência por Juliano Casabranca. Foi quando o Julian apareceu na parceria com o Daft Punk no clipe de "Instant Crush", em dezembro de 2013, que comecei a ver o moço com outros olhos. ~amor verdadeiro~ not Não deu outra: fiquei completamente obcecada, fangirling total. Tanto fogo resultou em Lollapalooza e Julian foi o primeiro e único dessa lista que vi ao vivo (não pessoalmente, quem me dera, mas pelo menos ao vivo). Com isso, só pude comprovar talento e beleza naqueles quase 1,90m no palco enquanto eu suava no calor sufocante do Autódromo de Interlagos.

Am I over it?


Claro que não, claro que nunca. 


Menção honrosa✖ Kat Dennings [atriz apenas maravilhosa]

Quando me conquistou? Em 2004, quando assisti ao filme "Na Trilha da Fama" ("Raise Your Voice" em inglês) com a Hilary Duff. Kat fazia o papel de uma menina esquisita que tocava piano. Ou seja, como não amar/se identificar?
Por que? Pra não citar a óbvia Natalie Portman, escolhi Kat como menção honrosa porque além de obviamente linda, ela é uma atriz excelente. Atualmente assisto o seriado "2 Broke Girls", no qual ela interpreta Max, uma versão mais rebelde da menina de "Na Trilha da Fama". Além disso, Kat é uma atriz que foge ao padrão hollywoodiano, o que já é suficiente para que eu me apaixone. Way to go, Kat!




Aproveito pra dizer que o amor e admiração por alguém famoso é extremamente saudável e recomendado (reparem: fazendo a psicóloga) quando não esbarra no amor patológico. Triste daquele que não sabe o sentimento que te invade ao ver o(a) ator(a) preferido(a) no filme, ouvir a voz daquele(a) vocalista maravilhoso(a) num momento especial ou apenas admirar uma foto e suspirar. E você? Quais foram/são suas paixonites adolescentes (ou não)?