domingo, 11 de maio de 2014

Como começar a escrever poemas

Passeando pelo Hello Poetry e inspirada pelo poema da Simrik, fiz uma tradução livre de "How to Start Writing Poems" por achá-lo muitíssimo, se me permitem a palavra, pertinente. Aproveitando a oportunidade, e caso te interesse, eu também tenho uma conta por  e tento, sem sucesso, poetar em Inglês.


namore alguém duas vezes sem amá-lo
espere eles irem embora
sinta-se vazio por um ano depois que eles forem embora
nunca fale com eles novamente
ouça The Smiths
pule refeições, perca tempo
termine o ensino médio
escreva cartas para pessoas que você não tem certeza se verá de novo
fique em casa
viaje o mundo com seu amigo
veja seu pai bêbabo
veja seu pai quebrar as coisas enquanto ele está bêbado
saiba que sua mãe era viúva na idade que você tem hoje
tente descobrir se eles realmente já se amaram
questione sua formação
fique em casa
leia livros velhos no seu iPod
durma na casa dos seus melhores amigos
use o transporte público para conhecer a cidade
ignore o malware
não ignore quando ele te perguntar se você o abriu
colete citações
faça arte
ame as flores
experimente fazer um ensaio fotográfico
deixe um homem velho e bêbado te chamar te linda
lembre-se de que ele estava bêbado quando disse isso
matricule-se numa escola, chore depois da entrevista em grupo
odeie o verão
use vestidos
faça novos amigos
vá a um comício com seu novo amigo
escute as histórias dele
conheça-o
ache poemas no tumblr, entenda que é normal que poemas sejam monolíticos
passe uma tarde chuvosa com ele
perceba que você não é tão vazio
apaixone-se por ele
descubra que você era a paixãozinha de escola dele
diga sim quando ele te disser que quer que você seja a namorada dele
minta para sua mãe
saia com ele
deixe ele te mostrar lugares onde você vai encontrá-lo
beije-o incansavelmente
continue vendo ele, minta para sua mãe o tempo todo
ache um lugar que estava esperando por vocês dois
minta para o seu melhor amigo
deixe sua mãe descobrir que você vem mentindo
pegue suas mentiras e pinte-as de branco
perceba que você se tornou uma ironia para sua mãe
chore
chore mais
ainda o ame
ainda o veja

domingo, 4 de maio de 2014

Frutas da estação

sim, sou louca
e ofereço maçãs. vi na China
o pomar mais lindo do mundo

em bancos de morango, fazem-se
pouquíssimas caixinhas de ver,
ouvir e aturar. continuam
mofados

com todos os meus caroços
só dava licença aos jovens
de várias colheitas

em bancos de manga,
senti muita gente sugar
pedindo um pouco mais
lambendo o dedo por trás

hoje dei de cara com os subterfúgios que vão ser terríveis.

enterrei os pés molhados
num pé de laranja lima
destinada a me fazer
mãe terra

mesmo que uma vida
às custas de nossas virtudes
se dê por inteiro, na dúvida
é só cuspir o bagaço

poucos dedos nesse mundo me interessam:
dedos lambuzados de polpa fresca

a morte me rabisca com um galho, e me arrebenta
quando cai podre no chão

simples assim.

plantam consequências, censuras, sofrimentos
me mandam um poema no ouvido dos outros
a grama do vizinho é sempre mais quente

sim, sou louca
e peço desculpas
caso você queria um cigarro
é só vir ao meu pomar

eu chupo tudo o que me convém.

fora de todas as árvores próximas, daquelas afastadas,
daqueles montes de folha, daquela estrada que tarda;
e da falha que trago
enrolada no galho

dicotiledônias trazem o embrião
morto e me ajudam
a subir no tronco

chegando ao topo, colho:
temo que isso seja uma boca fechada
mastigando as frutas da estação

e que ninguém te leia:
a vida é maldição pra nada