domingo, 9 de fevereiro de 2014

Vida baderna


Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
— Charles Baudelaire


para Thyara Pina

posso gritar pra dentro ou pra fora
entretanto, entre tantos, não importa
é tarde e as pessoas dormem
é cedo e as pessoas morrem
menos eu

vou ser presa
indiciada
pega nua
no flagra
urbana turista
heroína moderna
chasing the dragon
sem meu Baudelaire

um nove zero impera aqui
é São João, mas ainda não vi piedade
Tiradentes morreu enforcado
mas hoje ele é cidade
pois
nada mais justo que nomear o símbolo da
civilização com o sangue revolucionário

a vida moderna
é a baderna mais
organizada
que eu já vi

troco o cabelo verde por preto
troco a tartaruga pelas mãos vazias
é muita informação, é muita perdição
sem predileção

traga nossa forca
grite meu nome
ainda não é crime
viver com dor

(e ainda que fosse
gritar eu ia
o nosso amor)


Madrugada violenta, janeiro muito quente e pensamentos desordenados numa conversa entre musa, escritora decadente e dois mil e quatorze.

2 comentários:

  1. Primeira coisa boa que saiu desse seu momento "Julian" UHAHUAUHA!
    To brincando! Enfim, ficou perfeito, like always! "a vida moderna é a baderna mais organizada que eu já vi": não só a chamada "moderna". Vida é aquele momento estranho entre o nascimento e a morte, sempre uma bagunça que a gente organiza pra tirar algum sentido de onde não há nenhum. Mas é uma delícia, de qualquer forma

    ResponderExcluir

Caixa de sentimentos. Expresse-se.