terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Kuro

Caí numa gank. Não consigo sair dessa trap que é o que sobrou dos restos da batalha. Um FPS resolveria, mas sou muito ruim de mira: acabaria dando um tiro no pé, assim como tenho feito todos os dias. Miro o corpo no reflexo da poça de sangue: combate, defesa, conquista e suporte... Repito todos os dias até ser PWND pelas minhas próprias emoções. Não sou tanker, sou lammer: trapaço e finjo, desvio a atenção: this is fine. Na verdade, o que quero e preciso é de um healer – e rápido. Quem dera eu ser cheater; isso eu deixo pra você, pois dói o mesmo tanto que doeria se fosse eu, ainda que os enganados tenham sido nós por nós. Mas você está AFK, away from here, away from all - e não escuta ninguém. Penso, por vezes, onde essa Journey estaria me levando. Seria para o Limbo? Pois é, nunca se sabe. Mas não quero ser seu lag, não quero feedar: nem por querer, nem por ser ruim nesse jogo. Desculpe se pensou, talvez, estar jogando uma versão demo comigo – e não tiro a possibilidade de ter sido isso mesmo -, mas, ainda que inacabada, disponibilizei todas as funções que pude. My mind is glitch, our life is hype. Hoje, penso que fazer desse jogo um multiplayer é o que tenha sido o erro, mas também não consigo deixar de pensar que fomos hackeados: não porque é mais fácil pensar isso, mas porque é, muito provavelmente, o que aconteceu. Eu culpo os trolls, eu culpo os NPCs... Tenho mais frags que terabytes: vou matando quem aparece por puro prazer. Eu, nintendista; você, camper (ainda que negue); nós, random player killers. Quero pensar que achamos o savepoint mais próximo por estarmos cansados demais: aqui, sim, podemos respirar um pouco mais e ir além. Brigamos: me dá a manete, me dá o controle, aperta o salvar, presta atenção na tela! Que nome dar pra isso, afinal? Esse PvP parece não sair mais do lugar. Dou start de novo, mas hoje em dia não tem mais password mágico pra voltar exatamente pro lugar onde estávamos; não tem como sair sem salvar pra, quem sabe, ignorar os erros no início da 4ª fase. Ou tem? Desculpe, mas como você já sabe, sou uma péssima jogadora, e esse chefão tá difícil demais de matar. Você quitou, eu quero continuar jogando, mas parece mesmo que nenhum de nós dois vai conseguir zerar esse jogo: a vida é um game, e o nosso tá over.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Intimidade

que tomem nota
intimidade é:

I

a mesma gaveta pras meias e retalhos
o mesmo lado da cama que
se confunde com
o outro lado

II

acordar sem dormir
comer sem ter fome
falar sem ter assunto
todos: com a boca fechada

III

o trato
o insensato
o velado revelado

IV

essência sem se entender
encontro no olhar
desencontrado

V

batida do coração
que (ex)pulsa
junto com
justo quando
os olhos estão em contato

VI

o não ser da questão
o corpo
a relação-ação

VII

é âmago
favor não confundir com amargo
(mas também arde)

VIII

reconhecer e se encontrar no outro
já sendo quem tu és
(e quem és tu?)

IX

é ser bem-vindo ao se encontrar
pela primeira ou pela última vez
com ninguém
com alguém

X

sentir
te conheço de algum lugar
de dentro de mim

XI

é não saber
não dar
nem ter
intimidade

XII

não classificá-la:
aconte(sê-la)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Criopreservação


O amor é sexualmente transmissível.
— Marçal Aquino


Ao longe, o rádio tocava if feels like I only go backwards, baby, every part of me says go ahead. Pedimos uma cerveja, dois copos e dois cigarros. I got my hopes up again, oh no, not again.

- Gosto de phrasal verbs com a preposição on - eu digo, após dar a última tragada.
- Por que? - ele pergunta, com a expressão de interesse mais genuína que já vi.
- Não sei, sempre me dão a ideia de que algo vai mudar. Ao contrário dos que tem up (que parecem que sempre vão te deixar pra cima e são a maior enganação), o on nunca te faz desistir ao se dar. Apesar disso, gosto quando up e on se juntam em composição.
- Don’t give up on me – ele diz.
- A poet in love is a match soaked in gasoline – respondo.
- Gosto de in, dentro, mas não tanto quanto gosto de on me – ele responde enquanto eu termino a cerveja, atônita.
- Um poeta apaixonado é um fósforo mergulhado na gasolina? – ele continua, traduzindo. – Acho que vi isso em algum lugar (procurando um poema pra te mandar). É bonito.
- É.

(Silêncio)

- O bar está fechando, você quer ir pra outro lugar? – ele pergunta, já pegando o dinheiro para pagar a conta. – Deixa que eu pago os cigarros. Varejo é sempre foda. Você paga duas cervejas e tá tudo certo.
- Tudo bem, mas prefiro ir pra casa. Você me acompanha até lá? - eu digo.
- Claro. De lá eu pego um táxi, então.

(Silêncio)

- Está frio, mas não quero colocar o casaco – eu digo, ele ri.
- É por causa da tatuagem, não é?
- É, como você sabe?
- Quando fiz minha primeira rasguei todas as minhas blusas pra poder deixá-las à mostra. Tudo mesmo. Hoje sou mais tranquilo com isso, você se acostuma.
- Acho que sim (mas tem como rasgar a pele pra mostrar o que a gente sente por dentro do coração?). Eu me acostumo.

(Silêncio)

- E como é aquilo da terceira condicional? Você tinha comentado antes dos phrasal verbs, não entendi muito bem. – ele pergunta.
- Então, a terceira condicional se refere a uma situação não realizada no passado. Quero dizer, alguma coisa que teria acontecido se algo antes disso tivesse acontecido.
- Quer dizer então que se a ação não ocorreu no passado, ela é impossível agora no presente?

(Silêncio)

- Mais ou menos. Por exemplo, if i'd known she was going to be here, I would've never come.
- Ela quem? – ele pergunta.
- Ninguém. Foi só um exemplo.
- If I’d known I would fall in love with you, I would’ve never kissed you. – ele rebate.
- Mas a gente (ainda) não se beijou. – e quando me ouvi, as palavras já tinham sido cuspidas pra fora.
- Eu sei. Foi só um exemplo.

(Silêncio)

- Então você mora aqui? – ele pergunta, já se encaminhando para a portaria do prédio.
- Moro. Tem quase um ano, o tempo voa.
- Bom, então eu já vou indo – ele diz.
- Você não quer subir? (tá tarde, é quase de manhã, meio madrugada, meio manhã, nunca sei, penso que a gente não devia limitar a madrugada-manhã, quando uma começa, quando a outra termina, a que horas amanhece, a que horas "desmadruga".)
- Sim, obrigado – ele diz.
- Sim?
- Sim, aceito subir (pro seu apartamento de quase um ano nessa madrugada-manhã). A gente pode fazer um café.
- Ah, sim, claro. Façamos sim. Vamos subir.

(Silêncio)

- É isso, então.
- Te vejo semana que vem?
- Nos vemos.
- Obrigado pelo café e pelo papo na janela. Foi legal ver o amanhecer ao seu lado.
- Pra uma noite sem fim, até que nosso final foi bem poético (talvez eu faça um texto sobre isso, talvez não).
- Você devia fazer um texto sobre isso. Você escreve, não escreve?
- Eu tento, mas nada fica bom.
- Eu duvido, e discordo, mesmo sem ter lido algo que você tenha escrito. Sobre o que foi a última coisa que você escreveu?
- Ah... (sobre você silencioso, dormindo ao meu lado naquele colchão de solteiro jogado no chão do quarto, morto, semi-morto de tanta cerveja, não houve café que resolvesse, eu ao seu lado, te admirando, observando, passando as mãos no seu cabelo bagunçado e no seu rosto, você por baixo do meu braço na sua camisa do Led, depois de pé fumando o mesmo cigarro de palha que eu nem gosto, mas fumo da mesma forma que fumo você, seu cabelo cheirava a xampu de farmácia, e também tinha a brisa da noite, lembro que chovia um pouco e o céu clareava aos poucos, abrindo-se por entre o feriado, suas mãos fechadas em torno do copo de requeijão reciclado com café quente, eu arrumava um fio de cabelo atrás do outro, e enchia a área de serviço de palavras, aquela área sem móveis que você me chamou pra entrar e me encarou e não fez nada, absolutamente nada, foi neste momento, então, que eu deveria ter dito o que agora, porém, seria ridículo dizer)...sobre nada em especial. Aliás, nem me lembro. Mas te mando pra ler depois.

Ao longe, no rádio, ouvíamos for a while it was nice but it's time to say bye. Chamamos um táxi e demos um abraço de despedida. And cold you’re so cold, you’re so cold, you’re so cold.

- Talvez.
- O que? – eu indago, enquanto ele entra no táxi.
- Talvez a terceira condicional ainda tenha jeito. Você já ouviu falar sobre um processo chamado criopreservação?
- Sim. Não é quando a gente preserva um tecido biológico colocando ele em temperaturas baixíssimas? E depois dá pra descongelar como se nada tivesse acontecido?
- Algo assim.

O táxi some na larga avenida, o céu continua a se abrir, o café esfria na janela: nós, também.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Riot


"In all energy exchanges, if no energy enters or leaves an isolated system, the entropy of that system increases. Energy continuously flows from being concentrated, to becoming dispersed, spread out, wasted and useless. New energy cannot be created and high grade energy is being destroyed. An economy based on endless growth is... UNSUSTAINABLE!"



I can scream out
I could be better
however, among so many people
it doesn't matter

it's late, people sleep
it's early, people die
least I

I'll be arrested
chased
busted
urban tourist
modern heroine
chasing the dragon
without my Baudelaire

somebody call nine one one
it's St. John's day, but I have seen no mercy
Joan of Arc was burnt
Judas was hung
John Doe is done

(is it fair to name the symbol of
civilization after its revolutionary blood?)

modern life
is the most organized riot
that I have ever seen

green hair turns black
my turtle is gone
it's so much information
it's too much destruction
with no appreciation

bring our strength
scream my name
it's not a crime
to live in pain

(and even if it was
I would still believe
in what we became)

Poema originalmente postado no HelloPoetry.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Centelha


para Bárbara Andrade

Essa é a vigésima terceira vez que morro num sonho. Tento, em vão, esquecer o momento em que a corda se entrelaça no meu cordão e, de supetão, forma nós tão fortes na pele tão seca quanto nosso último abraço. Acordo aflita, suada, os olhos grudados por não ter tirado a maquiagem da noite anterior. Não pensar nas consequências desastrosas que virão no dia que se abre em meio à neblina da manhã é tudo que me resta. Enquanto eu descia e te puxava pelas mãos, tudo parecia menos triste. Alguns flashes voltam à minha cabeça. Levanto-me da cama, abro a gaveta. Não há nada escrito na(s) primeira(s) página(s) do meu moleskine falsificado. Pulo três e, na quarta, está escrito "lembrança". Tenho tanto medo de começar que só consigo começar lembrando. Tanto medo de gastar as páginas - como se eu desse realmente a mínima pras coisas materiais e superficialmente palpáveis - que não consigo escrever nada linear: apenas alguns segmentos frasais que não fazem sentido ainda. Fiquei pensando no que você tinha me perguntado ontem à noite. Éramos fora e na rua, no ouvido dos dois. Você perguntava se eu sentia que abandonava parte de mim quando precisava começar algo. Fiquei pensando nisso por muito, muito tempo. Estou sempre cheia de energia, sempre infestada de sentimentos. Minha mente sempre borbulhando numa movimentação que só sendo-vendo pra sentir-ver. Temo que isso soe um pouco raso ou intenso demais. Estou sempre muitíssimo agitada, perceba, no corpo e na mente. Por isso, sempre que preciso começar algo já não preciso. O começo é sempre um auto-começo, uma automação, uma atuação: tudo já está a maturar dentro da minha cabeça desde o momento em que penso em começar. Com isso, me dou conta de que estou cheia de inícios e vazia de fins. Só me restam os meios, as brechas, os becos, os corredores. Por isso, penso que nunca deixo uma parte de mim pra lá. Não consigo me abandonar. É egoísta, eu sei, mas até no meu altruísmo eu estou lá. A gente nunca ajuda sozinho, a gente nunca começa sozinho. Acontece que aquela faca no meio do estômago voltou a me perfurar. Não estou querendo exigir muito nesse recente (re)começo, mas minhas frustrações já são antigas. Não exijo-te, retraio-me e esqueço, por alguns segundos, o que a neblina tampou naquela manhã. Começamos já cheios de meios, miolos e medos. Cheios de nós, tão fartos de outros. Você me pergunta qual é a pergunta que eu mais quero responder, qual é a luta menos vã. "Os impulsos", você diz. "Os pulsos", eu digo. No fim, a luta menos vã é a solidão. Olho pela janela. Não importa a circunstância: o risco de acabar é sempre o mesmo. Volto pra cama: não sei se vou saber começar. Mas sei que há uma faísca nesse fio de sangue que escorre por entre nossos lábios no céu nublado do feriado.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

You will never know


I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)
— Sylvia Plath

these are the
things you will
never know:

I was afraid
it was too late
I knew my body
so well
this should have rung
a bell

(but you will
never know
about him)

I left pieces of my life behind
the ache was so bad
you were the best poem
I have (n)ever read

but no
you will never
ever know
I do not regret

(at least
not yet)

Poema originalmente postado no HelloPoetry.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

5 ex (ou não) amores famosos & platônicos

Meme proposto pelo Rotaroots.

Criado no intuito de trazer de volta blogosfera de anos atrás, o projeto Rotaroots é totalmente em prol da "blogosfera oldshool em 1 publicação ou seu tempo de volta", como os lindos do staff dizem. Além disso, estão sempre na luta "por menos cagação de regra, mais amor e mais liberdade pelo que escrevemos". É ou não é muito amor? Eu, que sou completamente apaixonada por essa blogosfera oldschool - quando, aliás, ainda era chamada de "blogosfera" - de uns 10-15 anos atrás não poderia achar mais revigorante. Já até contei minha história na tal blogosfera no texto A arte de blogar, numa homenagem ao Dia do Blogueiro do ano passado. Dessa forma, todo mês o Rotaroots propõe às meninas participantes memes, blogagens coletivas e afins para que possamos blogar à moda antiga e compartilharmos os textos umas com as outras. Por isso, vezenquando teremos um post ou outro aqui proposto pelo projeto.

Eu, como já é sabido de todos, procrastino e procrastinarei. Por isso, ainda na proposta do mês passado, escolhi o meme do mês de maio que é - como o título do post já adianta - falar sobre meus  5 amores famosos platônicos da adolescência. E essa é a chance de você apertar o X vermelho ali em cima, amigx. Corre que ainda dá tempo! Sim. E que atire a primeira pedra quem nunca surtou por um Justin Bieber dada determinada época/gosto pessoal. Portanto, sem mais delongas, vamos aos "ditos cujos", selecionados em meio a tantos amores.

✖5✖ Tré Cool (baterista da banda Green Day)

Quando me conquistou? Em meados de 2004. Eu estava entrando na minha fase rebelde sem causa que só usa preto e odeia (quase) todos quando me apaixonei por Green Day. Minhas amigas da época e eu combinávamos tardes de pipoca e suco de uva pra assistir ao DVD pirata de um show deles over and over again.
Por que? Como todo grupinho, cada amiga tinha que ter um cara preferido da banda. Eu, tentando ser ~diferente~, não queria gostar do vocalista porque todo mundo já gostava. Além disso, o Tré fazia umas caretas e era tipo o "bobo" da banda. Junta meu eu de 11 anos + um cara bobo e estranhamente bonito e você tem o necessário pra uma paixonite adolescente aguda.

Am I over it?
Definitely.


✖4✖ Johnny Depp (ator e músico multifacetado que dispensa apresentações)

Quando me conquistou? Não lembro ao certo, mas foi provavelmente entre o lançamento do primeiro "Piratas do Caribe", em 2003, e "Janela Secreta", em 2004.
Por que? Foi, provavelmente, assistindo a um dos dois filmes citados em algum momento que, obviamente, me apaixonei por Johnny Depp. Junta um cara lindo, talentoso, absurdamente charmoso e com muito "borogodó" e pá, temos nosso querido Johnny. Depois que caí de amores por ele, me propus a assistir a toda a filmografia. Assim o fiz: assisti a todos os filmes que consegui achar, mas ainda faltam vários. Foi nessa mesma época que comecei a me interessar por Tim Burton. Acompanhando a carreira do Johnny, assisti a muitos filmes do Burton. Com isso, acabei me "encontrando" completamente ali e os dois lindos ganharam meu coração.

Am I over it?
Claro que não, né? Quem estaria?!


✖3✖ Synyster Gates (guitarrista solo da banda Avenged Sevenfold)

Quando me conquistou? Lembro que foi exatamente em dezembro de 2010. Nesse período, canalizei todo meu amor adolescente reprimido no Synyster e no suposto "metal" do Avenged Sevenfold. Foi o período que eu mais usei o Twitter na vida e, obviamente, ficava postando coisas sobre ele o dia inteiro.
Por que? Foi amor à primeira vista. Primeiro porque achei ele extremamente bonito logo de cara; depois porque (ok, confesso) provavelmente me lembrava alguém. Foi o primeiro guitarrista pelo qual me apaixonei e acho que toda mulher devia se apaixonar por pelo menos um na vida, tá? Nunca é tarde, amigxs. Eu era tão apaixonada que fazia a piada Kid Abelha: "solos de guitarra vão me conquistar SIM". Também fazia algumas piadas envolvendo dedilhados de guitarra, mas prefiro pular essa parte. Shame on me.

Am I over it?
Provavelmente, mas mentiria se dissesse que não continuo achando ele m-a-r-a.


✖2✖ Chuck Bass (personagem do seriado Gossip Girl)

Quando me conquistou? Na primeira temporada de Gossip Girl, em 2007. Qualquer adolescente indo pro Ensino Médio que tenha visto Gossip Girl nessa época sabe do que eu estou falando. O timing não poderia ser mais perfeito: Gossip Girl foi meu Harry Potter no sentido "crescer junto".
Por que? Chuck é o tipo bad boy mulherengo fdp que sua mãe sempre falou pra você não namorar. Obviamente, ela está certa. Porém, pra uma adolescente de 14 anos, Chuck Bass era amor de perdição e salvação num só personagem. Sempre com um copo de uísque na mão e voz baixa e rouca seduzindo todos e todas ao seu redor, Chuck era o puro sex appeal de deixar qualquer menina babando.

Am I over it?
Sim, mas ainda respeito. Afinal, he is Chuck Bass.


✖1✖ Julian Casablancas (vocalista da banda The Strokes)

Quando me conquistou? Ao contrário de todos os lindos citados anteriormente, Julian me conquistou MUITO depois de eu tê-lo ouvido/visto pela primeira vez. Tré, Johnny, Sysnyter e Chuck foram todos amores à primeira vista que se mantiveram tempos depois, mas o furor por Julian só apareceu mesmo no fim de 2013/início de 2014.
Por que? Eu já conhecia e escutava Strokes há muito tempo, mas nunca passou pela minha cabeça ter uma paixãozinha adolescente pós adolescência por Juliano Casabranca. Foi quando o Julian apareceu na parceria com o Daft Punk no clipe de "Instant Crush", em dezembro de 2013, que comecei a ver o moço com outros olhos. ~amor verdadeiro~ not Não deu outra: fiquei completamente obcecada, fangirling total. Tanto fogo resultou em Lollapalooza e Julian foi o primeiro e único dessa lista que vi ao vivo (não pessoalmente, quem me dera, mas pelo menos ao vivo). Com isso, só pude comprovar talento e beleza naqueles quase 1,90m no palco enquanto eu suava no calor sufocante do Autódromo de Interlagos.

Am I over it?


Claro que não, claro que nunca. 


Menção honrosa✖ Kat Dennings [atriz apenas maravilhosa]

Quando me conquistou? Em 2004, quando assisti ao filme "Na Trilha da Fama" ("Raise Your Voice" em inglês) com a Hilary Duff. Kat fazia o papel de uma menina esquisita que tocava piano. Ou seja, como não amar/se identificar?
Por que? Pra não citar a óbvia Natalie Portman, escolhi Kat como menção honrosa porque além de obviamente linda, ela é uma atriz excelente. Atualmente assisto o seriado "2 Broke Girls", no qual ela interpreta Max, uma versão mais rebelde da menina de "Na Trilha da Fama". Além disso, Kat é uma atriz que foge ao padrão hollywoodiano, o que já é suficiente para que eu me apaixone. Way to go, Kat!




Aproveito pra dizer que o amor e admiração por alguém famoso é extremamente saudável e recomendado (reparem: fazendo a psicóloga) quando não esbarra no amor patológico. Triste daquele que não sabe o sentimento que te invade ao ver o(a) ator(a) preferido(a) no filme, ouvir a voz daquele(a) vocalista maravilhoso(a) num momento especial ou apenas admirar uma foto e suspirar. E você? Quais foram/são suas paixonites adolescentes (ou não)?

domingo, 11 de maio de 2014

Como começar a escrever poemas

Passeando pelo Hello Poetry e inspirada pelo poema da Simrik, fiz uma tradução livre de "How to Start Writing Poems" por achá-lo muitíssimo, se me permitem a palavra, pertinente. Aproveitando a oportunidade, e caso te interesse, eu também tenho uma conta por  e tento, sem sucesso, poetar em Inglês.


namore alguém duas vezes sem amá-lo
espere eles irem embora
sinta-se vazio por um ano depois que eles forem embora
nunca fale com eles novamente
ouça The Smiths
pule refeições, perca tempo
termine o ensino médio
escreva cartas para pessoas que você não tem certeza se verá de novo
fique em casa
viaje o mundo com seu amigo
veja seu pai bêbabo
veja seu pai quebrar as coisas enquanto ele está bêbado
saiba que sua mãe era viúva na idade que você tem hoje
tente descobrir se eles realmente já se amaram
questione sua formação
fique em casa
leia livros velhos no seu iPod
durma na casa dos seus melhores amigos
use o transporte público para conhecer a cidade
ignore o malware
não ignore quando ele te perguntar se você o abriu
colete citações
faça arte
ame as flores
experimente fazer um ensaio fotográfico
deixe um homem velho e bêbado te chamar te linda
lembre-se de que ele estava bêbado quando disse isso
matricule-se numa escola, chore depois da entrevista em grupo
odeie o verão
use vestidos
faça novos amigos
vá a um comício com seu novo amigo
escute as histórias dele
conheça-o
ache poemas no tumblr, entenda que é normal que poemas sejam monolíticos
passe uma tarde chuvosa com ele
perceba que você não é tão vazio
apaixone-se por ele
descubra que você era a paixãozinha de escola dele
diga sim quando ele te disser que quer que você seja a namorada dele
minta para sua mãe
saia com ele
deixe ele te mostrar lugares onde você vai encontrá-lo
beije-o incansavelmente
continue vendo ele, minta para sua mãe o tempo todo
ache um lugar que estava esperando por vocês dois
minta para o seu melhor amigo
deixe sua mãe descobrir que você vem mentindo
pegue suas mentiras e pinte-as de branco
perceba que você se tornou uma ironia para sua mãe
chore
chore mais
ainda o ame
ainda o veja

domingo, 4 de maio de 2014

Frutas da estação

sim, sou louca
e ofereço maçãs. vi na China
o pomar mais lindo do mundo

em bancos de morango, fazem-se
pouquíssimas caixinhas de ver,
ouvir e aturar. continuam
mofados

com todos os meus caroços
só dava licença aos jovens
de várias colheitas

em bancos de manga,
senti muita gente sugar
pedindo um pouco mais
lambendo o dedo por trás

hoje dei de cara com os subterfúgios que vão ser terríveis.

enterrei os pés molhados
num pé de laranja lima
destinada a me fazer
mãe terra

mesmo que uma vida
às custas de nossas virtudes
se dê por inteiro, na dúvida
é só cuspir o bagaço

poucos dedos nesse mundo me interessam:
dedos lambuzados de polpa fresca

a morte me rabisca com um galho, e me arrebenta
quando cai podre no chão

simples assim.

plantam consequências, censuras, sofrimentos
me mandam um poema no ouvido dos outros
a grama do vizinho é sempre mais quente

sim, sou louca
e peço desculpas
caso você queria um cigarro
é só vir ao meu pomar

eu chupo tudo o que me convém.

fora de todas as árvores próximas, daquelas afastadas,
daqueles montes de folha, daquela estrada que tarda;
e da falha que trago
enrolada no galho

dicotiledônias trazem o embrião
morto e me ajudam
a subir no tronco

chegando ao topo, colho:
temo que isso seja uma boca fechada
mastigando as frutas da estação

e que ninguém te leia:
a vida é maldição pra nada


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sarau: Lendo poetas vivos

Acontece hoje, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (FALE/UFJF), o sarau Lendo poetas vivos. A partir das 20:30h, dentro da programação da Aula Inaugural, vivos lerão poetas, também vivos. A leitura acontece no auditório da Faculdade de Letras da UFJF (antigo ICHL). Otávio, Anelise e eu leremos Matilde, Lucas e Ana - bem vivos, todos nós - e bem alimentados. E Matilde também vai ler Otávio, e Lucas também vai ler Anelise, e Ana também vai me ler. Vem ler (com) a gente!


Flesh & bone, blood & gore, poetry & friends
You have been warned

[...]
Don´t feed the poet 
If you invite it to dinner
It wont bring any food
It wont bring any drinks
It will only bring words
And steal your feelings
To weave them in its own
[...]

segunda-feira, 17 de março de 2014

Trois



cabalístico seria
se não fosse três
se não fosse você

e seus poderes
executivo
legis-lascivo
judiciário
sobre mim
crime a mão a(r)mada

número atômico do lítio que
escorre da boca e ajuda
no transtorno na loucura e no perigo
do amor tripolar de dois

no sistema binário é 112,
então é
você, eu, mileto e satélite natural
da terra
mas você é fogo,
Marte, Ares
guerra

e serpente que enrola
no meu ar de galo, ar de
Gêmeos, eu sendo
duas, você sendo
um, nós sendo três
anos, milênios

ou talvez apenas algumas horas
e um simples amanhã
acordando ao lado
teu


Dezessete de janeiro de dois mil e quatorze. Três anos. Três vezes três.
Com ele, pra ele, em resposta a ele. Dele, meu, dela, nosso, seu.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Vida baderna


Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
— Charles Baudelaire


para Thyara Pina

posso gritar pra dentro ou pra fora
entretanto, entre tantos, não importa
é tarde e as pessoas dormem
é cedo e as pessoas morrem
menos eu

vou ser presa
indiciada
pega nua
no flagra
urbana turista
heroína moderna
chasing the dragon
sem meu Baudelaire

um nove zero impera aqui
é São João, mas ainda não vi piedade
Tiradentes morreu enforcado
mas hoje ele é cidade
pois
nada mais justo que nomear o símbolo da
civilização com o sangue revolucionário

a vida moderna
é a baderna mais
organizada
que eu já vi

troco o cabelo verde por preto
troco a tartaruga pelas mãos vazias
é muita informação, é muita perdição
sem predileção

traga nossa forca
grite meu nome
ainda não é crime
viver com dor

(e ainda que fosse
gritar eu ia
o nosso amor)


Madrugada violenta, janeiro muito quente e pensamentos desordenados numa conversa entre musa, escritora decadente e dois mil e quatorze.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Torniquete



I

sede
fraqueza
pupilas dilatam
...é sangramento
verborragia interna:
morro um pouco por
dentro todo dia
por palavras
não ditas

II

escrever é vomitar
sentimentos e
não morrer
com o
vômito
voltando
na garganta

III

coincidência é olhar pela
janela às três da manhã
dum domingo
esquecido
e ver você
passando

IV

domingo é (não) sentir tu(do)
e talvez seja preciso
abrir menos
a janela
apertar mais
o garrote

V

lembrar de:
sarar e
não
sangrar
           [tanto]
pra tentar:
sangrar e
sarar
           [de novo]