quarta-feira, 20 de março de 2013

A arte de blogar

Vamos voltar em 2004: ano do tsunami na Tailândia, primeiras especulações sobre haver água em Marte e ano de criação do Orkut. Ano também no qual, infelizmente, faleceram dois dos meus autores preferidos: Hilda Hilst e Fernando Sabino. E, pelo lado bom, ano no qual o melhor seriado que já existiu, LOST, foi lançado. Porém, por mais interessante que seja fazer essa retrospectiva "mais do que retrô", voltemos em 2004, primeiro ano no qual tive o prazer de conhecer o maravilhoso advento da Internet. Melhor: ano no qual criei meu primeiro blog.

Eu, em 2004, pedindo pra moça desligar o telefone
pra eu poder entrar na Internet discada e tentando
escrever um texto.

Minha Internet era da UOL, aproximadamente 52 kbps e, claro, no esquema: todos os dias depois da meia- noite, sábado depois das 14h e domingo o dia inteiro. Eu mal podia acreditar que eu tinha Internet naquele Windows XP. Imaginem a alegria para uma criança de 11 anos ao descobrir um mundo nunca antes visto? E mais: para uma criança que, mesmo com a pouca idade, sonhava em ser jornalista, cobrir a guerra, ser correspondente, ser âncora? Uma criança cheia de ideias e com muita vontade de escrever.

Comecei minha jornada na tal blogosfera em 2004 mesmo, criando o Bruninha Spears (não julguem uma criança de 11 anos, ok?) no UOL Blog e, mais tarde, migrei com o mesmo nome para o Weblogger, do Terra, que nem existe mais. Buscava o melhor template em sites chamados Template Shop, que provavelmente não existem mais: Thomoeda Templantes, Vickys ou Vickys Place, Evelyn's Place, True Luv e outros que não bombavam tanto quanto esses na época. Era lindo passar horas e horas no domingo nesses sites, escolhendo e testando o melhor template pro meu querido blog (claro, tinha que ter a foto da Britney!) e poder dizer, toda feliz, fazendo um "Edit 1" no último post, dizendo: "Gente, o blog tá de roupa nova! Repararam no novo lay?". E essa gente era, mais ou menos, 6 ou 7 pessoas que visitavam seu blog regularmente.

Além disso, eu contava a ajuda de uma quase super-heroína, minha amiga Érika Simões, hoje uma quase jornalista/comunicadora social/publicitária e afins (diferente de mim, que resolvi fazer Letras ao invés de Jornalismo), que me salvava sempre e pra sempre nas minhas eternas dúvidas de "onde coloco esse código?", "faz tal gif pra mim?", "que programa você usa?", "faz um lay pra mim, Kita?", "Haloscan é melhor que UOL comentários?". Ela também tinha um blog, o Yeah-Yeah, que era a coisa mais linda do mundo e principal fonte de inspiração próxima que eu tinha. Se não fosse por ela, não sei se eu teria tido a coragem de mergulhar na Internet sozinha. E não sei como ela me aguenta até hoje. Valeu, Kitakiss!

Eu escrevia sobre tudo (percepções que eu tinha, ideias que vinham do nada, desejos, medos, vontades, textos introspectivos, situações cotidianas...), mas não era totalmente um diário. Como eu gostava de escrever textos de ficção, inventava historinhas, mas também postava imagens, gifs e tudo que viesse na minha cabeça, desde que fosse bem brilhoso, já que a moda eram os gifs "piscantes" com Candy Dolls e frases de impacto. E a gente seguia a vida assim, participando de Contests, querendo ganhar o button de Blog do Mês, adicionando todo e qualquer script que nos fosse apresentado, como barras de rolagem automáticas, deixar a foto do perfil de cinza pra colorida ou vice-versa, colocando nosso mood, bonequinhos, gifs e etc, muito etc.

Durante meus primeiros anos na blogosfera, fiz muitas amizades pelos comentários do blog. Tinha gente do Rio, de Brasília, de São Paulo, do Sul... De todo o lugar que eu pudesse imaginar desse Brasil. E a gente conversava muito, horas e horas no MSN, saudoso MSN. Deixo aqui um beijo pras lindas e lindos Giuliana, DaniNatália, Leka e Paulo, representando essa galera maravilhosa que tive o prazer de conhecer. Nós éramos muito exigentes com os comentários: se alguém vinha comentar no nosso blog, inexoravelmente comentávamos no blog da pessoa. E não precisava de nada de "comento de volta" e variantes do tipo. A gente comentava porque gostava, porque as ideias batiam, porque era legal comentar e ver que alguém realmente tinha parado e lido o que você tinha escrito.

Ter um blog era uma obsessão, uma religião, uma loucura sem tamanho. Passavam-se horas até escolhermos o layout perfeito, a imagem perfeita pro texto nem tão perfeito assim, as palavras perfeitas. Como eu era super-muito-über-hiper-demais-da-conta perfeccionista e inquieta, mudei de blog inúmeras vezes, mas sempre permaneci no UOL Blog, a tal da terminação .zip.net para não assinantes. Não sei a quantia exata de blogs que tive, mas lembro de alguns nomes: Drama Station, Bleachers, Pistachio, Recitations, Poleteli ("voar" em Russo), Freak Fancy... E com certeza alguns outros que não lembro mais. Porém, permaneci pouquíssimo tempo com esses blogs. E isso porque ainda estamos em 2006.

Então, depois de muito tentar combinações em Inglês e palavras em outras línguas mais exóticas, resolvi que queria algo bem "brazuca", bem meu. Foi então que, em 2007, criei o Rua das Ilusões, também no querido UOL Blog (clique aqui para ver meu primeiro post lá). Nessa época, percebi melhor a necessidade de ter um espaço para desabafar, e também continuar contando meus "causos". Esse novo-velho teor que resolvi dar ao blog não foi pensado, estruturado ou combinado. Foi exatamente essa necessidade de me expor de dentro pra fora e de fora pra dentro, até mesmo dar a cara a tapa, falar, cuspir, escancarar algum pedaço de mim. E, assim, ganhei uns poucos e belos 6 ou 7 leitores, continuando com o blog até janeiro de 2012.

Nesse meio tempo, tive oportunidades incríveis na blogosfera. Houve um tempo em que a revista Capricho tinha uma seção na revista chamada Tudo de Blog, a qual consistia em 3 textinhos de 3 blogueiras em uma página da revista falando sobre determinado tema dado pela jornalista responsável, a Nati Duprat. Também tínhamos uma seleção de textos pra parte do Tudo de Blog no site da Capricho. Então eu, leitora assídua da Capricho na época (já que a W.i.t.c.h. não era mais a mesma), resolvi me inscrever para ser colaboradora, na seleção de 2008. A inscrição era um texto, sobre um tema X que não lembro agora, e mais alguns dados. E, para a minha surpresa, em meio a mais de 1.500 inscrições, fiquei entre as 130 selecionadas! Como eu era menor de idade, mamãe assinou o Termo de Responsabilidade, mandamos pelo Correio e pronto! Fui publicada na revista duas vezes: uma em dezembro de 2008 com o texto "Mais uma volta em torno do Sol" (capa Britney Spears - olha o Bruninha Spears dando resultado!) e em junho de 2009 com o texto "A vitória da Mulher Sustentável" (capa Robert Pattinson). No site, fui publicada três vezes, com os textos "Fuma, fuma, fuma, folha de bananeira...", "No dia 12 de junho..." e "Neurose Virtual". Na época, um professor de Português do meu ex-colégio colocou o xerox do meu texto numa prova de redação, fez uma mini-biografia pra mim e pediu na prova um texto no mesmo formato! Me senti a diva da cidade com todo mundo fazendo uma prova com meu texto. Alô, Machado, um dia eu chego lá! (Que nada...)

Quem me conhece e/ou acompanha essa minha jornada louca na blogosfera, sabe que eu tenho sérios problemas com prazos, posts e datas. Chego a ficar meses sem postar, e nem é hipérbole: podem checar minha última postagem antes desse post... Janeiro! Mas quando me dá na telha, eu vou e escrevo um testamento, coisa que provavelmente está acontecendo agora. Por conta disso, quase saí da equipe de colaboradoras do Tudo de Blog, já que eu fazia duas de 20 pautas mandadas, por exemplo. Mesmo assim, fiquei na equipe até a extinção da seção na revista e no site, que aconteceu no início de 2010. Fiquei, então, de 2008 a 2010, dos 14 aos 16 anos: a cada ano mais ou menos 60 meninas "das antigas" ficavam e 60 meninas novas eram selecionadas. E, nesse meio tempo, eu tentava manter o Rua das Ilusões atualizado pelo menos três vezes a cada seis meses. Não tá fácil pra ninguém...

O Tudo de Blog acabou, mas a amizade com as lindas que conheci lá, não. Hoje em dia temos um grupo de desabafos e tudo o que você puder imaginar no Facebook, onde relembramos e contamos as peripécias atuais. Fica aqui um beijo enorme pra todas elas, já que algumas são blogueiras até hoje também!

Depois do TDB, parti para o No Divã, projeto das ex-tudodebloguetes que, assim como eu, ficaram órfãs na noite para o dia, precisando de um novo local para se expressar. Infelizmente, devido ao meu probleminha com prazos e etc, só contribuí três vezes para o site, na seção "Responsa", que tinha a ver com escola e vestibular, com os textos "Saiam de cima de mim", "Organize-se brincando" e "Professor e aluna, amor (quase) proibido". Acabei pedindo pra sair por falta de tempo, mas elas continuam por lá, firmes e fortes. Não deixem de visitar a Revista No Divã.

Depois disso, em maio de 2010, minha conterrânea Bruna Vieira, do blog Depois dos Quinze, me chamou para ser colaboradora do blog dela. O DDQ foi o blog para o qual mais produzi textos (acho que até mais que para o meu próprio!). Participei das tags "Comportamento" e "Entre Amigas", com inúmeros textos: "Auto-estima", "Determine-se", "Eu e a timidez", "O depois da despedida", "Quem é o príncipe encantado?", "Valorizando o reconhecimento", "Decida-se", "Rola um sentimento", "Fracasso antecipado", "Felicidade mútua", "O que é seu é sempre seu", "Me, myself and I", "Foi só naquele dia", "Saudades demais", "Por trás da tela", "Reta final", "Felicidade conttrolada", "Mudando a vontade", "Vira o disco, vira a vida", "Sexo é escolha"... E a lista segue. Porém, no início de 2012, não estava mais conseguindo postar ou escrever, e também sem tempo, meu velho probleminha. Então, acabei pedindo pra sair da equipe também. Hoje, o blog dela é um dos mais populares no meio adolescente. Agradeço muito a ela, pois cresci bastante enquanto escrevi pra lá. Beijo pra Bruna, que além de conterrânea é chará, representando a galera nova da blogosfera.

Em meio a essa confusão toda, e o pobre do Rua das Ilusões? Ficava lá abandonado, triste e sozinho. Aquela minha vontadezinha de mudar, sair correndo de um blog pro outro, começou a aparecer. E, então, a terminação .zip.net já não era suficiente, o UOL Blog ia acabar sendo excluído de uma forma ou de outra e eu ainda tinha um e-mail da BOL em 2011! Ou seja, era preciso correr e modernizar, e bem rápido. Mas e o apego aos textos antigos? Não queria por nada no mundo perdê-los, mas também queria excluir o blog. Como não dava pra exportar os textos no UOL Blog e importá-los no blogspot, servidor para o qual eu queria mudar, preferi deixar o Rua do jeitinho que estava e fiz um último post com um link para cá, o que deve dar certo ainda, suponho. Não faço ideia se as pessoas ainda vão lá (eu vou pra matar a saudade sempre que ela aparece). Enfim, criei coragem e "neologizei" Infinitopia, essa coisa linda que pretendo manter por muito tempo.

Eu não queria me alongar tanto, fiz de tudo para isso não acontecer, mas quando se trata de blog, parte importantíssima da minha vida, falar pouco não é comigo. Posso ter todos os meus problemas com prazos e vontade de escrever, mas hoje, por ser Dia do Blogueiro (veja o porquê aqui), não pude resistir ao sentimento saudosista que me invadiu nesse dia frio e nublado em Juiz de Fora. Caramba, ano que vem faz DEZ ANOS que eu tenho blog! Hoje, com 19 anos, é muito bom poder dizer isso. Nunca ganhei um centavo com blog ou colaborações e nem pretendo. Também não gosto muito de falar que sou "blogueira", pois o termo tem uma conotação completamente diferente nos dias de hoje. Gosto de falar que tenho blog, que escrevo de quando em vez, por aí, quando me dá na telha. Que estarei sempre e nunca aqui, escrevendo e não escrevendo, sendo e não sendo. No dia de hoje, além de parabenizar a velha guarda que é nova e a moçada atual que é velha, queria agradecer a você que chegou até aqui num texto que só tem uma imagem. Nos dias de hoje, é difícil conseguir atenção só pelas palavras, já que as pessoas sempre precisam de várias imagens, um vídeo, um gif, um sorteio... Mas isso é assunto pra outra hora.

No mais, quero deixar um beijo pra todos os blogueiros e blogueiras que passaram e mudaram minha vida, nas experiências trocadas e nas madrugadas sem dormir tentando escrever. Enquanto houver aquelas 6 ou 7 pessoas comentando e lendo o que eu escrevo, blogar valerá a pena.

Feliz Dia do Blogueiro!