sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Gramática ou Poesia



Você, meu adjunto adverbial
Faz com que eu, agente da passiva
Fique louca por tentar adivinhar
O que é que você quer me dizer, sujeito

A conjunção nos espera
E a fila já está próxima ao predicado
Não espere que a concordância
Seja parâmetro nessa denotação

É tudo conotação!

A prosódia que nos atinge, querido
Faz com que a regência seja quase que
Ortográfica?

A mesóclise, meu caro, agora fala
Entender-te-tento
Amar-te-estou
Ficar-não-sei
Deixar-te-ei

Você, vocativo, está brigando com meu coração
Lá nossos nomes não mais estão
A sintaxe, senhor sujeito, está fora de colocação

Sou seu antônimo
Palavra composta por justaposição
Bem-me-quer, não
Pois você é radical
Me sufixa, afixa
E não liga pra estética, não

Os fonemas estão de prova
Esse amor não vai dar par não
O estudo dos nossos signos, meu caro
Não vai ter representação

Sou uma intertextualidade mal feita de você
E os aforismos em que me meto
São só pra ver
Se entre nós dois vai ter

Gramática
ou
Poesia


Poesia com gosto de feriado, escrita hoje durante todo o dia.