domingo, 25 de março de 2012

Esquece


Esquece esse medo bobo de conspiração contrária do universo.
Esquece o que o mundo e o senso comum pensam sobre você.
Esquece daqueles que ainda povoam sua mente trazendo o pior do seu ser.

Esquece da hora.
Esquece e demora.
Esquece porque a vida foi feita pra quem sabe reinventar.

Esquece que o mundo é uma merda.
Esquece porque eu tenho pressa.
Esquece do mundo que esquece da gente sem pestanejar.

Esquece de tudo.
Esquece de nada.
Esquece todo mundo que insiste em te achar imaturo demais.

Esquece quem acha que sabe de tudo.
Esquece quem acha que engana você.
Esquece se todos pensam que você não sabe de nada.

Esquece do tempo.
Esquece o momento.
Esquece das fórmulas chatas de Física pra decorar.
Esquece de tudo que te faz parar.

Esquece de tudo que fez até hoje.
Esquece de tudo e começa de novo.
Esquece que existe alguém pra te odiar.

Esquece a ferida deixada no peito.
Esquece da dor já chorada demais.
Esquece das lágrimas nas noites de inverno.
Esquece que existem pessoas perfeitas.
Esquece porque todos vão te decepcionar.

Esquece daqueles que já não lembram de você.
Esquece porque no final é a gente quem sofre.
Esquece dos anos passados.
Esquece o tempo perdido.
Esquece o passado vivido de um ser querido.

Esquece o que te incomoda.
Esquece de tudo que implora.
Esquece de tudo de uma vez por todas pra continuar.
Esquece de tudo que te faz chorar.

Esquece essas coisas e mais muitas outras.
Esquece de mim.
Esquece de você.
Esquece pra poder lembrar.
Esquece pra se transformar.

Adaptação em verso (sempre quis mudar esse texto) de "Esquece", texto originalmente postado no blog Depois dos Quinze em julho de 2011. Lembrado pela Carol e pela Jerssika essa semana no meu facebook.

domingo, 11 de março de 2012

Saudade demais, domingos reais


Domingo à noite. Os últimos pingos de chuva caindo na janela. Um sentimento em comum: saudade. Daquilo que vem, daquilo que vai. Daquilo que vem do que vai. Estamos fadados a isso e, ainda assim, sorrindo. A saudade dói, mas se pararmos para pensar, anestesia. Porque senti-la nos obriga a buscar as lembranças de pessoas que nos fizeram felizes. E por mais que fira, cura. O sentimento mais presente nas poesias e canções. É obrigatória no amor. Tentamos matá-la, mesmo que temporariamente, longe ou perto de quem sentimos saudade. Relemos cartas, revemos fotos, reviramos a memória. Fechamos os olhos e, ao mesmo tempo, abrimos um sorriso sem mostrar os dentes, o que condena estarmos sentindo a desesperada necessidade de puxar aquela pessoa do nosso pensamento para junto de nós. Além de tudo isso, é um sentimento completamente próprio da língua portuguesa. Os ingleses sentem falta. Nós sentimos saudade. E existe uma grande diferença (mesmo que paradoxalmente possa ser uma linha tênue, em determinados casos) entre “I miss you” e “eu sinto saudade”. Saudade é medo, amor, distância, ontem, a música que você ouviu hoje, o beijo que você não deu, o amor que você recusou, o momento que você desperdiçou, a mão que você pegou, a ajuda que deu, o jardim que regou, o texto que você acabou de ler, a pessoa de quem você acabou de lembrar, a cama desarrumada em um domingo chuvoso à noite. Tipo agora.

Texto originalmente postado no blog Depois dos Quinze em julho de 2010 que parece retomar o sentido neste específico domingo em março de 2012.