domingo, 26 de fevereiro de 2012

Infinitoquê?

"Um dia a coisa sai. E eu acredito no mecanismo do infinito, fazendo com que tudo aconteça na hora exata." (Caio Fernando Abreu)
 
 

Eu não sei começar. Nunca aprendi. Talvez seja por essa razão que eu adore pensar sobre o começo de tudo, principalmente daquilo em que não tenho o direito de julgar. Tanto não sei como começar que já inicio minha escrita com um paradoxo aparentemente simples, porém nada comparado ao que seria descrever meu sentir em relação aos inícios.

Agradeço que não tenha tido que começar a vida por mim, sabe-se lá quanto tempo demoraria até eu conseguir sair do útero. Ou que tivesse que tomar as primeiras decisões da vida sozinha. Eu com certeza seria uma mulher literalmente e literariamente ao contrário da que vos fala. Poderia ser melhor? Talvez. Eu poderia saber fazer começos e não ter a menor ideia de como são os fins. Não que eu saiba algo sobre fins hoje. Sei que, pelo menos, os fins são engolidos porque são, definitivamente, definitivos. As pessoas podem não concordar com os fins, mas de algum jeito terão de aprender a aceitar ou simplesmente lidar com ele. Só o que podemos fazer é repassá-lo à frente com as mais diversas ficções adicionadas à pompa do game over.

O estranho é que, apesar de o conceito do começo ser praticamente como o do fim em teoria, principalmente no quesito de que ambos os fatos não podem ser mudados, continuamos a insistir em querer, sempre, mudar os começos. Quiçá eu, que realmente sou péssima neles. Se não tivesse conhecido fulano no início, se ele não tivesse saído de carro aquela noite, se nós não tivéssemos insistido com eles...O velho e sempre novo “se”. Se, se, se, se! Se eu tivesse começado esse blog antes, será que alguém já estaria entendendo melhor o que eu realmente quero passar através da tela? 

Tanto falei que não gosto, não sei e não entendo começos que fiz um dos maiores começos da minha vida, aqui neste texto, sem querer, para um só propósito: finalmente COMEÇAR esse blog. Confuso? Eu também. O que posso adiantar é que, feliz ou infelizmente, este blog está começando. E como a boa não-sei-começar que sou, começo da pior-melhor forma possível: apenas dando início, o que não significa que será realmente bom.

A verdade é que eu estava tão preocupada em começar que parece que já estou no meio. Não sei explicar, é um sentimento tão confuso quanto aceitar o fim, mas parece promissor. Fiquei tão preocupada com o começo que agora nem quero mudá-lo. E olha que é meu próprio começo, eu tenho todo o direito de mudá-lo enquanto ainda há tempo. Mas continuar essa reflexão é para outra hora.

Também não garanto que esse será o único começo do meio, pode ser que ainda venham vários começos começando a explicar. Retorno diretamente da verdadeira época de ouro dos blogs, a qual vivi entre 2004 e 2008, quando o mundo blogueiro ainda era pura consciência crítica. Não que eu não goste do que tenham feito com os blogs hoje em dia, até curto todo esse cuidado em parecerem sempre perfeitos, mas não é o que você encontrará aqui.

Eu gosto de escrever contos, eu gosto de inventar coisas, eu quero meu nome num planeta, quero voar, quero encontrar com a Alice no País das Maravilhas, eu amo inventar diálogos, amo mais ainda misturar acontecimentos reais sobre a minha vida com coisas inventadas que poderiam ter acontecido, quero ir pra Oz, pra Terra do Nunca, plantar sonhos no Jardim Secreto, eu quero poder ter um lugar para todas as coisas fantásticas, infinitas, pura utopia!

Daí não restava a menor dúvida quanto ao nome do lugar que daria sequência à minha Rua das Ilusões: INFINITOPIA! Um neologismo inventado por mim, mistura do infinito que eu tanto vivo com a utopia de viver assim. Portanto, sem mais delongas, bem-vindo à infinita utopia de um lugar que não existe!