domingo, 29 de maio de 2016

Sujeita

eu sou mulher.
um ser que tem consciência
e experiências únicas.
logo,
eu sou SUJEITO:
eu não me oponho
ao ser pensante;
eu penso.
eu NÃO sou OBJETO.
e serei cada vez:
MAIS sujeito,
MENOS objeto.
não me desumanize,
não me coise;
eu não sou coisa pra você:
pegar;
comer;
usar;
apalpar;
chutar;
bater;
valorizar.
eu sou humana.
eu sou você.
e você também é eu.





 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sofisma


 “(...) the poets are only the interpreters of the gods.”
― Socrates

nossa república se desfez
mas que Platão esteja
avisado:
quem disse que o filósofo
e a poeta nunca
dariam certo
não conheceu
a gente antes
da cicuta

Embebida por algumas aulas de Questões Filosóficas Aplicadas à Educação na faculdade, hoje, às 16h. Depois de alguns (poucos) anos estudando filosofia, entendo que ainda falta mais (tempo) do que supus.

domingo, 26 de abril de 2015

Opacidade

"Quando a luz é emitida de uma determinada fonte, ela passa a se propagar com uma velocidade de 3.105 km/s, isso para o vácuo, ou seja, na ausência de matéria. No entanto, a luz também pode se propagar em outros meios além do vácuo..."

com Anelise Freitas



sentada no ônibus
no calor das três da tarde
eu pergunto
de que lado tá o sol

e num dia de inverno
o mormaço quase sumo
me convida
e pergunto
de que lado tá o sol

sou corpo opaco
e tens-lúcido a
certeza de que se
fosse eu negro
ideal
'inda assim
perguntaria
de que lado tá o sol

na praia eu pergunto
de que lado tá o sol
vitamina D-eus que
eu nem sei se
preciso

porque o mar é uno
e o rei dos judas
multiplico

Poema escrito há mais de um ano, mas postado só agora. Em resposta ao então manifesto da translucidez, em dedicatória-comunhão, da minha quebradora de muros que sempre faz com que o sol passe pelo buraco do tijolo quebrado.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Sentido


Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

— Paulo Leminski

Estando sempre em crise, dizia Zizek em mais uma de minhas leituras noturnas, você se torna indestrutível. Entre o virar de uma página e outra antes de dormir, a indagação era cada vez mais forte: o que escolher quando sair de casa: o par de asas ou a camisa de força? No aforismo seguinte, perdi-me na impossibilidade. Ora, se é preciso entender a lógica da dor, por que não começar sufocando a própria?
Os sentidos, passo-a-passo:

Primeiro: pego um pedaço de pano, a fim de fazer uma espécie de torniquete. Coloco-o em volta do peito e, entre o tecido e o coração, uma pedra de gelo retirada do copo de uísque.

Só se vê bem com o coração, lembra-me a menina leitora de oito anos que fui. Tenho propriedade suficiente para discordar disso hoje, embasamentos teóricos de gente importantíssima que ganha dinheiro só pra falar, veja bem. Mas não, preciso testar.

Segundo: alcanço um velho tampão de pirata, acessório provavelmente adquirido em mais uma dessas feiras inúteis que insisto em frequentar. Posiciono-o em cima do olho esquerdo.

Perco-me em mais uma página passada, que não me ajudou em nada. As sensações são uma mentira, lembrei-me da leitura anterior à corrente. Vivência simples, instantânea, permeada por armadilhas de equívocos incessantes. Minha tática é simples: sentir muito, até não sentir nada. Seria essa, porém, a forma mais absoluta de sentir? Preciso testar.

Terceiro: pego o copo de uísque e sinto-o por entre meus dedos. Com as duas mãos, arremesso-o de um lado para o outro.

Lembro-me do dia em que cortei todos os meus dedos ralando algumas cenouras para o jantar. Não foi bonito. O sangue escorria por entre os legumes crus depositados na pia e vazava até atingir o cano. Hoje acordei com a cara amassada. Pensei: seria isso o que chamam tato? Não sei, mas preciso tentar.

Quarto: tiro a casquinha do machucado no pulso; o sangue começa a escorrer, observo as gotas dançarem por cima de minha pele.

Interrompida por uma abrupta pausa no livro, que dava espaço para uma citação de mais um autor desconhecido, os sentidos voltam a me confundir. Até agora, nada resolvido. O som lá fora é um tilintar de freios bruscos, aceleração e alarmes. Achar que a noite é feita pra dormir só foi verdade até a invenção da luz elétrica. A noite é feita pra pensar, ou não pensar, conforme for o caso. O vento também fala: quem você está procurando? Só pode ser um perdido.

Quinto: atormentada, tapo os ouvidos com algodão e, ao mesmo tempo em que fecho os olhos, nada perpassa meus pensamentos. A leitura continua apesar dos percalços limitadores de sensações. Sinto o cheiro dos legumes queimando no fogão, mas não consigo mais me mover. Tento, em vão, lamber o sangue que ainda resta em meu pulso, mas qualquer movimento seria, agora, fatal. Permaneço imóvel, limitada: eu já não sinto nada. Os artifícios sufocadores das sensações começam a fazer cócegas.

Sexto: o gelo já está derretido... Corto o torniquete... Tiro o tapa olho... Tiro os algodões do ouvido... Limpo o sangue no braço...

Sem ti
Sentido
Sentir dor
Sem ti, dor

Levanto-me. É preciso desligar o fogo; é preciso, também, não morrer. Retorno ao quarto. Coloco Zizek em cima do criado mudo, abro Cioran para, em instantes, pegar no sono. Começo bem: “o limite de cada dor é uma dor maior”. Paro de ler. Vejo todos os objetos sufocantes jogados no chão do quarto. Eu mesma estou, também, bem próxima ao chão. Meus olhos vacilam e espiam mais uma costura de palavras no tecido: “no edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça”. E nem nas sensações, Cioran! Você sequer escreve sobre isso? Não há outra saída, é preciso seguir seu conselho. Durmo. E “que belo travesseiro é o caos”...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Kuro

Caí numa gank. Não consigo sair dessa trap que é o que sobrou dos restos da batalha. Um FPS resolveria, mas sou muito ruim de mira: acabaria dando um tiro no pé, assim como tenho feito todos os dias. Miro o corpo no reflexo da poça de sangue: combate, defesa, conquista e suporte... Repito todos os dias até ser PWND pelas minhas próprias emoções. Não sou tanker, sou lammer: trapaço e finjo, desvio a atenção: this is fine. Na verdade, o que quero e preciso é de um healer – e rápido. Quem dera eu ser cheater; isso eu deixo pra você, pois dói o mesmo tanto que doeria se fosse eu, ainda que os enganados tenham sido nós por nós. Mas você está AFK, away from here, away from all - e não escuta ninguém. Penso, por vezes, onde essa Journey estaria me levando. Seria para o Limbo? Pois é, nunca se sabe. Mas não quero ser seu lag, não quero feedar: nem por querer, nem por ser ruim nesse jogo. Desculpe se pensou, talvez, estar jogando uma versão demo comigo – e não tiro a possibilidade de ter sido isso mesmo -, mas, ainda que inacabada, disponibilizei todas as funções que pude. My mind is glitch, our life is hype. Hoje, penso que fazer desse jogo um multiplayer é o que tenha sido o erro, mas também não consigo deixar de pensar que fomos hackeados: não porque é mais fácil pensar isso, mas porque é, muito provavelmente, o que aconteceu. Eu culpo os trolls, eu culpo os NPCs... Tenho mais frags que terabytes: vou matando quem aparece por puro prazer. Eu, nintendista; você, camper (ainda que negue); nós, random player killers. Quero pensar que achamos o savepoint mais próximo por estarmos cansados demais: aqui, sim, podemos respirar um pouco mais e ir além. Brigamos: me dá a manete, me dá o controle, aperta o salvar, presta atenção na tela! Que nome dar pra isso, afinal? Esse PvP parece não sair mais do lugar. Dou start de novo, mas hoje em dia não tem mais password mágico pra voltar exatamente pro lugar onde estávamos; não tem como sair sem salvar pra, quem sabe, ignorar os erros no início da 4ª fase. Ou tem? Desculpe, mas como você já sabe, sou uma péssima jogadora, e esse chefão tá difícil demais de matar. Você quitou, eu quero continuar jogando, mas parece mesmo que nenhum de nós dois vai conseguir zerar esse jogo: a vida é um game, e o nosso tá over.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Intimidade

que tomem nota
intimidade é:

I

a mesma gaveta pras meias e retalhos
o mesmo lado da cama que
se confunde com
o outro lado

II

acordar sem dormir
comer sem ter fome
falar sem ter assunto
todos: com a boca fechada

III

o trato
o insensato
o velado revelado

IV

essência sem se entender
encontro no olhar
desencontrado

V

batida do coração
que (ex)pulsa
junto com
justo quando
os olhos estão em contato

VI

o não ser da questão
o corpo
a relação-ação

VII

é âmago
favor não confundir com amargo
(mas também arde)

VIII

reconhecer e se encontrar no outro
já sendo quem tu és
(e quem és tu?)

IX

é ser bem-vindo ao se encontrar
pela primeira ou pela última vez
com ninguém
com alguém

X

sentir
te conheço de algum lugar
de dentro de mim

XI

é não saber
não dar
nem ter
intimidade

XII

não classificá-la:
aconte(sê-la)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Criopreservação


O amor é sexualmente transmissível.
— Marçal Aquino


Ao longe, o rádio tocava if feels like I only go backwards, baby, every part of me says go ahead. Pedimos uma cerveja, dois copos e dois cigarros. I got my hopes up again, oh no, not again.

- Gosto de phrasal verbs com a preposição on - eu digo, após dar a última tragada.
- Por que? - ele pergunta, com a expressão de interesse mais genuína que já vi.
- Não sei, sempre me dão a ideia de que algo vai mudar. Ao contrário dos que tem up (que parecem que sempre vão te deixar pra cima e são a maior enganação), o on nunca te faz desistir ao se dar. Apesar disso, gosto quando up e on se juntam em composição.
- Don’t give up on me – ele diz.
- A poet in love is a match soaked in gasoline – respondo.
- Gosto de in, dentro, mas não tanto quanto gosto de on me – ele responde enquanto eu termino a cerveja, atônita.
- Um poeta apaixonado é um fósforo mergulhado na gasolina? – ele continua, traduzindo. – Acho que vi isso em algum lugar (procurando um poema pra te mandar). É bonito.
- É.

(Silêncio)

- O bar está fechando, você quer ir pra outro lugar? – ele pergunta, já pegando o dinheiro para pagar a conta. – Deixa que eu pago os cigarros. Varejo é sempre foda. Você paga duas cervejas e tá tudo certo.
- Tudo bem, mas prefiro ir pra casa. Você me acompanha até lá? - eu digo.
- Claro. De lá eu pego um táxi, então.

(Silêncio)

- Está frio, mas não quero colocar o casaco – eu digo, ele ri.
- É por causa da tatuagem, não é?
- É, como você sabe?
- Quando fiz minha primeira rasguei todas as minhas blusas pra poder deixá-las à mostra. Tudo mesmo. Hoje sou mais tranquilo com isso, você se acostuma.
- Acho que sim (mas tem como rasgar a pele pra mostrar o que a gente sente por dentro do coração?). Eu me acostumo.

(Silêncio)

- E como é aquilo da terceira condicional? Você tinha comentado antes dos phrasal verbs, não entendi muito bem. – ele pergunta.
- Então, a terceira condicional se refere a uma situação não realizada no passado. Quero dizer, alguma coisa que teria acontecido se algo antes disso tivesse acontecido.
- Quer dizer então que se a ação não ocorreu no passado, ela é impossível agora no presente?

(Silêncio)

- Mais ou menos. Por exemplo, if i'd known she was going to be here, I would've never come.
- Ela quem? – ele pergunta.
- Ninguém. Foi só um exemplo.
- If I’d known I would fall in love with you, I would’ve never kissed you. – ele rebate.
- Mas a gente (ainda) não se beijou. – e quando me ouvi, as palavras já tinham sido cuspidas pra fora.
- Eu sei. Foi só um exemplo.

(Silêncio)

- Então você mora aqui? – ele pergunta, já se encaminhando para a portaria do prédio.
- Moro. Tem quase um ano, o tempo voa.
- Bom, então eu já vou indo – ele diz.
- Você não quer subir? (tá tarde, é quase de manhã, meio madrugada, meio manhã, nunca sei, penso que a gente não devia limitar a madrugada-manhã, quando uma começa, quando a outra termina, a que horas amanhece, a que horas "desmadruga".)
- Sim, obrigado – ele diz.
- Sim?
- Sim, aceito subir (pro seu apartamento de quase um ano nessa madrugada-manhã). A gente pode fazer um café.
- Ah, sim, claro. Façamos sim. Vamos subir.

(Silêncio)

- É isso, então.
- Te vejo semana que vem?
- Nos vemos.
- Obrigado pelo café e pelo papo na janela. Foi legal ver o amanhecer ao seu lado.
- Pra uma noite sem fim, até que nosso final foi bem poético (talvez eu faça um texto sobre isso, talvez não).
- Você devia fazer um texto sobre isso. Você escreve, não escreve?
- Eu tento, mas nada fica bom.
- Eu duvido, e discordo, mesmo sem ter lido algo que você tenha escrito. Sobre o que foi a última coisa que você escreveu?
- Ah... (sobre você silencioso, dormindo ao meu lado naquele colchão de solteiro jogado no chão do quarto, morto, semi-morto de tanta cerveja, não houve café que resolvesse, eu ao seu lado, te admirando, observando, passando as mãos no seu cabelo bagunçado e no seu rosto, você por baixo do meu braço na sua camisa do Led, depois de pé fumando o mesmo cigarro de palha que eu nem gosto, mas fumo da mesma forma que fumo você, seu cabelo cheirava a xampu de farmácia, e também tinha a brisa da noite, lembro que chovia um pouco e o céu clareava aos poucos, abrindo-se por entre o feriado, suas mãos fechadas em torno do copo de requeijão reciclado com café quente, eu arrumava um fio de cabelo atrás do outro, e enchia a área de serviço de palavras, aquela área sem móveis que você me chamou pra entrar e me encarou e não fez nada, absolutamente nada, foi neste momento, então, que eu deveria ter dito o que agora, porém, seria ridículo dizer)...sobre nada em especial. Aliás, nem me lembro. Mas te mando pra ler depois.

Ao longe, no rádio, ouvíamos for a while it was nice but it's time to say bye. Chamamos um táxi e demos um abraço de despedida. And cold you’re so cold, you’re so cold, you’re so cold.

- Talvez.
- O que? – eu indago, enquanto ele entra no táxi.
- Talvez a terceira condicional ainda tenha jeito. Você já ouviu falar sobre um processo chamado criopreservação?
- Sim. Não é quando a gente preserva um tecido biológico colocando ele em temperaturas baixíssimas? E depois dá pra descongelar como se nada tivesse acontecido?
- Algo assim.

O táxi some na larga avenida, o céu continua a se abrir, o café esfria na janela: nós, também.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Riot


"In all energy exchanges, if no energy enters or leaves an isolated system, the entropy of that system increases. Energy continuously flows from being concentrated, to becoming dispersed, spread out, wasted and useless. New energy cannot be created and high grade energy is being destroyed. An economy based on endless growth is... UNSUSTAINABLE!"



I can scream out
I could be better
however, among so many people
it doesn't matter

it's late, people sleep
it's early, people die
least I

I'll be arrested
chased
busted
urban tourist
modern heroine
chasing the dragon
without my Baudelaire

somebody call nine one one
it's St. John's day, but I have seen no mercy
Joan of Arc was burnt
Judas was hung
John Doe is done

(is it fair to name the symbol of
civilization after its revolutionary blood?)

modern life
is the most organized riot
that I have ever seen

green hair turns black
my turtle is gone
it's so much information
it's too much destruction
with no appreciation

bring our strength
scream my name
it's not a crime
to live in pain

(and even if it was
I would still believe
in what we became)

Poema originalmente postado no HelloPoetry.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Centelha


para Bárbara Andrade

Essa é a vigésima terceira vez que morro num sonho. Tento, em vão, esquecer o momento em que a corda se entrelaça no meu cordão e, de supetão, forma nós tão fortes na pele tão seca quanto nosso último abraço. Acordo aflita, suada, os olhos grudados por não ter tirado a maquiagem da noite anterior. Não pensar nas consequências desastrosas que virão no dia que se abre em meio à neblina da manhã é tudo que me resta. Enquanto eu descia e te puxava pelas mãos, tudo parecia menos triste. Alguns flashes voltam à minha cabeça. Levanto-me da cama, abro a gaveta. Não há nada escrito na(s) primeira(s) página(s) do meu moleskine falsificado. Pulo três e, na quarta, está escrito "lembrança". Tenho tanto medo de começar que só consigo começar lembrando. Tanto medo de gastar as páginas - como se eu desse realmente a mínima pras coisas materiais e superficialmente palpáveis - que não consigo escrever nada linear: apenas alguns segmentos frasais que não fazem sentido ainda. Fiquei pensando no que você tinha me perguntado ontem à noite. Éramos fora e na rua, no ouvido dos dois. Você perguntava se eu sentia que abandonava parte de mim quando precisava começar algo. Fiquei pensando nisso por muito, muito tempo. Estou sempre cheia de energia, sempre infestada de sentimentos. Minha mente sempre borbulhando numa movimentação que só sendo-vendo pra sentir-ver. Temo que isso soe um pouco raso ou intenso demais. Estou sempre muitíssimo agitada, perceba, no corpo e na mente. Por isso, sempre que preciso começar algo já não preciso. O começo é sempre um auto-começo, uma automação, uma atuação: tudo já está a maturar dentro da minha cabeça desde o momento em que penso em começar. Com isso, me dou conta de que estou cheia de inícios e vazia de fins. Só me restam os meios, as brechas, os becos, os corredores. Por isso, penso que nunca deixo uma parte de mim pra lá. Não consigo me abandonar. É egoísta, eu sei, mas até no meu altruísmo eu estou lá. A gente nunca ajuda sozinho, a gente nunca começa sozinho. Acontece que aquela faca no meio do estômago voltou a me perfurar. Não estou querendo exigir muito nesse recente (re)começo, mas minhas frustrações já são antigas. Não exijo-te, retraio-me e esqueço, por alguns segundos, o que a neblina tampou naquela manhã. Começamos já cheios de meios, miolos e medos. Cheios de nós, tão fartos de outros. Você me pergunta qual é a pergunta que eu mais quero responder, qual é a luta menos vã. "Os impulsos", você diz. "Os pulsos", eu digo. No fim, a luta menos vã é a solidão. Olho pela janela. Não importa a circunstância: o risco de acabar é sempre o mesmo. Volto pra cama: não sei se vou saber começar. Mas sei que há uma faísca nesse fio de sangue que escorre por entre nossos lábios no céu nublado do feriado.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

You will never know


I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)
— Sylvia Plath

these are the
things you will
never know:

I was afraid
it was too late
I knew my body
so well
this should have rung
a bell

(but you will
never know
about him)

I left pieces of my life behind
the ache was so bad
you were the best poem
I have (n)ever read

but no
you will never
ever know
I do not regret

(at least
not yet)

Poema originalmente postado no HelloPoetry.